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Quando pensamos nas paisagens mais bonitas da Itália, é natural que cidades históricas como Roma, Florença e Veneza sejam algumas das primeiras imagens que surgem na memória. Outros podem imaginar as colinas cobertas por vinhedos da Toscana, as pequenas cidades da Costa Amalfitana ou as impressionantes montanhas das Dolomitas.
Existe, porém, uma Itália diferente, onde montanhas, vilarejos, palácios e águas cristalinas formam algumas das paisagens mais fotogênicas do país.
Estamos falando dos lagos italianos.
Do norte alpino às regiões do centro do país, a Itália possui inúmeros lagos que se tornaram destinos turísticos por mérito próprio. Alguns são enormes e cercados por cidades movimentadas. Outros permanecem escondidos entre montanhas e pequenas comunidades onde parece que o tempo passa mais devagar.
Conhecer esses lugares pode ser uma excelente maneira de descobrir uma Itália além dos roteiros turísticos mais tradicionais.
Poucos lagos italianos possuem uma imagem internacional tão forte quanto o Lago di Como, na Lombardia.
Localizado ao norte de Milão e próximo à fronteira com a Suíça, o lago está cercado por montanhas que parecem mergulhar diretamente em suas águas. Ao longo das margens aparecem pequenas cidades, jardins históricos e enormes villas que ajudam a explicar por que a região se tornou sinônimo de elegância.
Uma das localidades mais conhecidas é Bellagio, situada em uma posição privilegiada do lago. Ruas estreitas, escadarias, restaurantes e construções históricas criam aquela atmosfera italiana que parece ter sido planejada especialmente para fotografias.
Outra parada interessante é Varenna, que oferece uma experiência um pouco mais tranquila. Caminhar pela região próxima à água enquanto se observa o movimento dos barcos é uma das maneiras mais agradáveis de aproveitar o destino.
Os barcos, aliás, fazem parte da experiência. Eles conectam diferentes localidades e permitem observar as montanhas e pequenas cidades de uma perspectiva completamente diferente.
Se Como impressiona pela elegância, o Lago di Garda chama atenção inicialmente pelo tamanho. Ele é o maior lago da Itália e está localizado entre Lombardia, Vêneto e Trentino-Alto Ádige.
Essa posição geográfica cria uma enorme variedade de paisagens.
No sul, o cenário apresenta características mais mediterrâneas. Conforme avançamos em direção ao norte, as montanhas tornam-se cada vez mais presentes, formando enormes paredes naturais ao redor das águas.
Entre os lugares mais famosos está Sirmione, construída sobre uma estreita península que avança pelo lago.
A entrada para o centro histórico passa pelo impressionante Castello Scaligero, uma fortaleza medieval cercada pela água. Depois de atravessá-la, o visitante encontra pequenas ruas, restaurantes, sorveterias e edifícios históricos.
Outra cidade encantadora é Limone sul Garda, encaixada entre o lago e as montanhas. Seu nome combina perfeitamente com uma das características mais curiosas da região: o cultivo histórico de limões.
O Lago di Garda também agrada quem prefere atividades ao ar livre. Caminhadas, passeios de bicicleta, navegação e esportes aquáticos fazem parte da rotina turística da região.
Dividido entre a Itália e a Suíça, o Lago Maggiore combina natureza e arquitetura de uma maneira bastante particular.
Do lado italiano, uma das principais bases para conhecer a região é Stresa.
Além da vista para o lago e para as montanhas, Stresa é um excelente ponto de partida para visitar as famosas Ilhas Borromeias.
Entre elas, Isola Bella provavelmente é a mais impressionante.
Grande parte da pequena ilha é ocupada pelo Palazzo Borromeo e seus jardins. Terraços ornamentados, esculturas e vegetação cuidadosamente planejada criam um forte contraste com as montanhas que aparecem ao fundo.
É justamente essa mistura de paisagem alpina, arquitetura histórica e jardins que transforma o Lago Maggiore em um dos destinos mais sofisticados do norte da Itália.
Nem sempre os lugares mais famosos são aqueles que proporcionam as experiências mais interessantes.
A oeste do Lago Maggiore encontra-se o Lago d'Orta, consideravelmente menor que seus vizinhos famosos, mas cheio de personalidade.
Em suas margens está Orta San Giulio, uma pequena localidade histórica formada por ruas estreitas, construções antigas e praças próximas à água.
Do centro da cidade é possível observar a pequena Isola San Giulio.
Barcos fazem constantemente o curto trajeto até a ilha, onde edifícios históricos ocupam praticamente todo o pequeno território.
O ambiente mais reservado faz do Lago d'Orta uma alternativa interessante para quem deseja conhecer a região dos lagos italianos sem necessariamente permanecer nos destinos mais movimentados.
Nas Dolomitas existe um lago que se transformou em verdadeiro fenômeno nas redes sociais.
O Lago di Braies, também conhecido pelo nome alemão Pragser Wildsee, apresenta uma paisagem quase cinematográfica.
Suas águas refletem as enormes montanhas que cercam o vale, enquanto pequenos barcos de madeira ajudam a formar uma das imagens mais reconhecidas das Dolomitas.
As cores do lago mudam de acordo com a iluminação e as condições climáticas. Dependendo do momento, suas águas podem apresentar tonalidades que variam entre verde e azul.
O crescimento da popularidade trouxe também um grande aumento no número de visitantes. Por isso, quem deseja encontrar uma atmosfera mais tranquila normalmente precisa evitar os horários de maior movimento e considerar as restrições sazonais de acesso existentes na região.
Mesmo assim, quando observamos o lago cercado pelas montanhas, é fácil entender por que tantas pessoas desejam conhecê-lo.
Também nas Dolomitas está outro lago capaz de competir facilmente pelo título de um dos mais fotogênicos da Itália.
O Lago di Carezza, conhecido em alemão como Karersee, é bem menor do que outros lagos desta lista.
O tamanho, entretanto, pouco importa diante da paisagem.
Cercado por uma floresta de coníferas e com as montanhas das Dolomitas ao fundo, o lago apresenta águas famosas por suas tonalidades intensas.
Em dias com boas condições de iluminação, as montanhas podem aparecer refletidas sobre a superfície, criando aquela fotografia clássica que parece ter recebido algum tipo de tratamento digital.
Mas é simplesmente a natureza fazendo o seu trabalho.
Ainda dentro do universo das Dolomitas encontramos o Lago di Misurina.
Localizado a aproximadamente 1.750 metros de altitude, ele está cercado por algumas das paisagens montanhosas mais impressionantes do norte italiano.
O cenário muda bastante dependendo da época do ano.
Durante os meses mais quentes, o verde das montanhas e a água formam uma paisagem tranquila, excelente para caminhadas. No inverno, neve e temperaturas baixas transformam completamente a região.
Misurina também possui uma localização estratégica para quem pretende explorar outros pontos das Dolomitas, incluindo a região das famosas Tre Cime di Lavaredo.
Isso significa que o lago pode facilmente fazer parte de um roteiro mais amplo pelas montanhas.
Localizado entre os famosos lagos de Como e Garda, o Lago d'Iseo acaba muitas vezes ficando fora dos roteiros internacionais.
Talvez seja justamente isso que torne a região tão interessante.
O lago está cercado por montanhas, pequenas cidades e áreas de produção vinícola. Em seu centro encontra-se Monte Isola, uma grande ilha habitada que pode ser alcançada de barco.
Sem o mesmo fluxo turístico encontrado em Como ou Garda, Iseo consegue preservar uma atmosfera mais tranquila em diversas localidades.
Para quem deseja viajar lentamente, sentar em um café próximo à água e simplesmente observar o movimento cotidiano, pode ser uma excelente escolha.
Seria fácil imaginar que os grandes cenários lacustres italianos terminam quando deixamos os Alpes para trás.
Mas não é exatamente assim.
Na Úmbria encontramos o Lake Trasimeno, um dos maiores lagos do país.
A paisagem é completamente diferente daquela encontrada nas Dolomitas. Em vez de enormes montanhas rochosas, aparecem colinas suaves, campos e pequenas cidades históricas.
Entre elas está Castiglione del Lago, construída sobre uma elevação às margens do lago.
O pôr do sol é um dos grandes espetáculos da região. Quando a luz começa a desaparecer sobre as águas, o cenário ganha tons dourados e avermelhados que justificam facilmente alguns minutos de contemplação.
Ao norte de Roma existe outro lago que merece atenção.
O Lago di Bolsena possui origem vulcânica e está cercado por pequenas cidades históricas, áreas agrícolas e praias.
A cidade de Bolsena é uma das principais bases para explorar a região. Seu centro histórico preserva construções antigas e ruas que sobem pelas encostas próximas ao lago.
No verão, as margens ganham movimento com visitantes aproveitando as praias e restaurantes.
Para quem estiver fazendo uma viagem de carro pela região central da Itália, o lago pode representar uma interessante parada entre destinos mais conhecidos.
A resposta depende bastante do tipo de lago que você pretende visitar.
Nos grandes lagos do norte, como Como, Garda e Maggiore, primavera e começo do outono costumam proporcionar temperaturas agradáveis e boas condições para explorar as cidades. Durante julho e agosto, o clima favorece atividades próximas à água, mas também coincide com um dos períodos de maior movimento turístico.
Nas Dolomitas, a situação é diferente.
Entre o final da primavera e o verão, trilhas e estradas de montanha tornam-se mais acessíveis. Já no inverno, a neve transforma completamente a paisagem e algumas regiões passam a funcionar dentro da dinâmica das estações de esqui.
Por isso, antes de montar o roteiro, vale verificar as condições específicas de cada destino, especialmente quando a viagem envolve lagos localizados em altitude elevada.
Os lagos italianos mostram como a diversidade geográfica do país vai muito além das cidades históricas e das praias do Mediterrâneo.
Em uma mesma viagem é possível navegar entre villas centenárias no Lago di Como, caminhar por uma fortaleza às margens do Garda e, alguns dias depois, observar as montanhas refletidas nas águas cristalinas das Dolomitas.
Alguns desses lugares são mundialmente conhecidos. Outros permanecem discretamente fora das rotas mais populares.
Talvez seja justamente essa variedade que torne os lagos italianos tão especiais.
Eles não precisam necessariamente ser destinos onde o viajante corre de uma atração para outra. Muitas vezes, a melhor experiência é simplesmente caminhar pelas margens, escolher uma pequena cidade, pedir um café ou um aperitivo e observar a paisagem.
Porque existem lugares na Itália que parecem ter sido feitos para aparecer em cartões-postais.
E, diante de alguns desses lagos, é difícil acreditar que o cenário diante dos olhos seja real.
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