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Os erros que todo turista comete na Itália

Viajar pela Itália costuma ocupar um lugar especial no imaginário de quem sonha em conhecer a Europa. Roma, Veneza, Florença, Milão, Nápoles, Toscana, Costa Amalfitana e tantas outras regiões fazem com que seja relativamente fácil montar um roteiro cheio de lugares incríveis.

O problema é que justamente essa quantidade de opções pode levar o viajante a cometer alguns erros. Muitos deles não chegam a estragar as férias, mas podem significar dinheiro desperdiçado, horas perdidas em deslocamentos e até aquela sensação frustrante de ter passado pela Itália sem realmente aproveitar o país.

E não estamos falando apenas de quem está fazendo sua primeira viagem internacional. Alguns desses deslizes são bastante comuns até entre turistas experientes.

Neste artigo, vamos conhecer alguns dos erros mais frequentes de quem visita a Itália e, principalmente, entender como evitá-los.

 

Tentar conhecer a Itália inteira em poucos dias

Talvez este seja o erro mais clássico.

Você abre o mapa e começa a selecionar os destinos: Roma, Florença, Pisa, Veneza, Milão, Cinque Terre, Nápoles, Pompeia, Costa Amalfitana...

Quando percebe, existem oito cidades diferentes dentro de um roteiro de dez dias.

Embora a Itália não seja um país gigantesco em extensão territorial, deslocar-se constantemente consome muito mais tempo do que parece. Não é apenas a duração da viagem de trem que precisa entrar na conta. É necessário fazer check-out, chegar à estação, esperar o transporte, desembarcar, localizar o hotel seguinte, deixar as malas e começar novamente.

Um roteiro excessivamente cheio transforma as férias em uma sequência de estações ferroviárias e quartos de hotel.

Na maioria das situações, conhecer menos lugares e permanecer mais tempo em cada um deles proporciona uma experiência muito melhor.

Roma, por exemplo, dificilmente pode ser compreendida adequadamente em algumas horas. Florença também merece mais do que simplesmente uma fotografia diante da Catedral de Santa Maria del Fiore antes de correr para o próximo trem.

Na Itália, diminuir o ritmo muitas vezes significa aproveitar mais.

 

Subestimar as distâncias entre as cidades

Outro erro relacionado ao roteiro é olhar para o mapa e imaginar que tudo está perto.

Milão e Roma estão no mesmo país, mas isso não significa que seja conveniente fazer um bate-volta entre as duas cidades. O mesmo raciocínio vale para quem pretende ficar hospedado em Roma e conhecer Veneza durante o dia.

Os trens de alta velocidade italianos tornaram os deslocamentos entre grandes cidades bastante eficientes, mas ainda existe uma distância considerável entre diferentes regiões.

Antes de montar o roteiro, vale observar não somente os quilômetros, mas principalmente o tempo real necessário para cada deslocamento.

Em determinadas situações, trocar de cidade-base todos os dias pode custar muito mais tempo do que simplesmente permanecer alguns dias na mesma região.

 

Não entender como funcionam os trens

Viajar de trem é uma das melhores maneiras de conhecer a Itália. Entretanto, o sistema ferroviário possui alguns detalhes que confundem quem está utilizando o serviço pela primeira vez.

Existem diferentes categorias de trens.

Os serviços de alta velocidade conectam algumas das principais cidades italianas e normalmente trabalham com reserva de assento. Já muitos trens regionais funcionam de maneira diferente.

Além disso, dependendo do tipo de bilhete utilizado, pode existir a necessidade de validação antes da viagem. Com a expansão das passagens digitais, algumas regras também mudaram e podem variar conforme o serviço adquirido.

Por isso, não é uma boa ideia simplesmente comprar uma passagem e presumir que todos os trens funcionam da mesma maneira.

Antes de embarcar, confira as condições específicas daquele bilhete e procure identificar o trem pelo número e horário, e não apenas pelo destino final.

Uma composição que passa por Florença, por exemplo, pode apresentar outra cidade como destino no painel da estação.

 

Achar que sempre é necessário alugar um carro

A imagem de dirigir por pequenas estradas da Toscana cercadas por ciprestes é realmente tentadora.

E existem viagens em que o carro faz enorme diferença.

Para explorar áreas rurais, pequenos vilarejos e regiões com transporte público limitado, alugar um veículo pode proporcionar liberdade e permitir descobrir lugares que seriam difíceis de alcançar de outra maneira.

O problema aparece quando o turista decide utilizar o carro dentro das grandes cidades.

Roma, Florença, Milão e outras cidades italianas possuem trânsito intenso, estacionamento complicado e áreas com circulação restrita.

É aqui que entram as famosas ZTL, as Zone a Traffico Limitato.

Entrar sem autorização em determinadas áreas pode resultar em multas, e as câmeras utilizadas para controlar o acesso tornam difícil contar apenas com a sorte.

Se o roteiro estiver concentrado nas principais cidades italianas, trem e transporte público normalmente serão suficientes. O automóvel passa a fazer mais sentido quando o objetivo é explorar o interior.

 

Escolher hospedagem apenas pelo preço

Encontrar um hotel muito barato parece uma vitória até você perceber que ele está longe de tudo.

Uma hospedagem econômica localizada nos arredores pode acabar gerando despesas adicionais com transporte e, principalmente, consumir uma quantidade preciosa de tempo todos os dias.

Isso não significa que seja necessário dormir ao lado do Coliseu ou da Piazza San Marco.

O segredo é observar as conexões.

Um hotel um pouco afastado, mas próximo de uma estação de metrô ou de uma boa linha de transporte público, pode representar excelente custo-benefício.

Antes de reservar, abra o mapa e simule o deslocamento entre a hospedagem e os principais pontos que pretende conhecer.

Alguns minutos fazendo essa pesquisa podem economizar várias horas durante a viagem.

 

Comer somente perto das atrações turísticas

Você passou a manhã inteira caminhando pelo centro histórico, está com fome e encontra um restaurante praticamente em frente à atração que acabou de visitar.

É conveniente.

Também pode ser justamente um dos locais mais caros da região.

Isso não significa que todo restaurante localizado perto de um monumento seja ruim. O problema é escolher apenas pela localização.

Em áreas extremamente turísticas, é comum encontrar estabelecimentos voltados principalmente para visitantes ocasionais.

Às vezes, caminhar apenas algumas ruas para longe das atrações mais movimentadas já muda completamente a experiência.

Uma boa estratégia é observar onde os próprios moradores estão comendo, consultar avaliações recentes e evitar decidir apenas porque alguém está tentando convencê-lo a entrar no restaurante.

 

Esperar que a culinária italiana seja igual em todo o país

Outro equívoco frequente é imaginar a cozinha italiana como um grande cardápio nacional formado apenas por pizza, massa e tiramisù.

A culinária italiana é profundamente regional.

Os pratos encontrados no Piemonte podem ser completamente diferentes daqueles tradicionais da Sicília. A cozinha da Emilia-Romagna possui características próprias, assim como a gastronomia romana, napolitana, veneziana ou toscana.

Essa diversidade é justamente uma das partes mais interessantes da viagem.

Em Roma, vale experimentar especialidades romanas. Em Nápoles, faz sentido conhecer a tradição da pizza napolitana. Em Bolonha, descubra os sabores da Emilia-Romagna.

Viajar pela Itália também significa viajar por diferentes cozinhas.

 

Procurar versões "universais" de pratos italianos

Alguns pratos conhecidos internacionalmente possuem interpretações bastante diferentes daquelas encontradas na Itália.

Isso pode surpreender.

O turista chega esperando encontrar exatamente aquilo que conhece dos restaurantes italianos de seu país e descobre uma preparação diferente ou, em alguns casos, percebe que determinado prato nem sequer faz parte da tradição daquela região.

A cozinha italiana tende a valorizar receitas locais e ingredientes relativamente simples.

Em vez de procurar reproduzir aquilo que você já conhece, aproveite para perguntar quais são os pratos típicos daquele lugar.

Provavelmente será muito mais interessante.

 

Não entender a cultura do café

Entrar em um bar italiano e pedir simplesmente "um café" pode resultar em algo diferente do que muitos brasileiros imaginam.

Na Itália, quando alguém pede um caffè, normalmente está falando de um espresso.

Também existe uma dinâmica própria nos bares. Muitas pessoas tomam café rapidamente no balcão, especialmente durante a rotina diária.

Dependendo do estabelecimento e da localização, sentar-se em uma mesa pode ter um preço diferente do consumo feito diretamente no balcão.

Outro detalhe cultural famoso envolve o cappuccino. Os italianos costumam associá-lo principalmente ao café da manhã, enquanto depois das refeições é muito mais comum pedir um espresso.

Ninguém será expulso do país por pedir cappuccino à tarde, evidentemente. Mas conhecer esses pequenos hábitos torna a experiência mais interessante e ajuda a compreender melhor o cotidiano italiano.

 

Entrar em igrejas sem prestar atenção à roupa

Algumas das maiores obras de arte da Itália estão dentro de igrejas e basílicas.

Por isso, mesmo quem não está fazendo uma viagem religiosa provavelmente visitará várias delas.

O detalhe que alguns turistas esquecem é que esses lugares continuam sendo espaços religiosos.

Determinadas igrejas podem exigir roupas consideradas adequadas para a entrada, especialmente em relação a ombros e pernas excessivamente expostos.

Durante o verão italiano, quando as temperaturas podem ficar bastante elevadas, isso acaba pegando alguns visitantes desprevenidos.

Levar uma peça leve que possa ser utilizada nesses momentos evita problemas e permite visitar os monumentos sem precisar voltar para o hotel.

 

Não reservar as atrações mais concorridas

Imagine chegar a Roma e descobrir que não existem ingressos disponíveis para aquela atração que você mais queria conhecer.

Ou chegar a Florença e perceber que os horários convenientes para determinado museu já estão esgotados.

Isso acontece.

A Itália recebe milhões de visitantes e alguns monumentos possuem capacidade limitada.

Coliseu, Museus Vaticanos, Galeria Uffizi e outras atrações extremamente populares merecem planejamento antecipado, principalmente durante os meses de maior movimento.

Reservar tudo com antecedência também não é necessário. Parte da diversão de viajar está justamente em deixar espaço para descobertas inesperadas.

Mas existe uma diferença entre manter o roteiro flexível e deixar os lugares mais disputados para decidir na última hora.

 

Viajar no verão sem considerar o calor

Existe uma imagem perfeita das férias italianas: céu azul, gelato na mão e tardes caminhando por ruas históricas.

O que a fotografia não mostra é o calor.

Julho e agosto podem registrar temperaturas bastante elevadas em diversas regiões italianas. Caminhar durante horas sob o sol pode transformar um roteiro aparentemente tranquilo em uma verdadeira maratona.

Além disso, essa época coincide com um dos períodos mais movimentados do turismo europeu.

Se a viagem precisar acontecer durante o verão, vale adaptar os horários. Começar os passeios mais cedo, fazer uma pausa nas horas mais quentes e retomar as atividades posteriormente costuma ser muito mais confortável do que tentar caminhar durante todo o dia.

 

Ignorar os horários italianos

Outro detalhe que surpreende alguns visitantes é imaginar que lojas, restaurantes e serviços funcionarão continuamente durante todo o dia.

Isso pode variar bastante de acordo com a cidade e a região.

Nas grandes áreas turísticas é mais fácil encontrar estabelecimentos funcionando por períodos prolongados. Já em cidades menores, determinados comércios podem fechar durante parte da tarde.

Os horários dos restaurantes também merecem atenção.

Chegar querendo jantar extremamente cedo pode significar encontrar a cozinha ainda fechada.

Quando estiver visitando cidades pequenas ou restaurantes específicos, conferir os horários antecipadamente evita surpresas.

 

Querer fazer tudo exatamente como faria em casa

Provavelmente um dos maiores erros de qualquer viagem internacional é esperar que outro país funcione exatamente como o nosso.

A Itália possui seus próprios ritmos, hábitos, horários e maneiras de fazer as coisas.

Algumas diferenças serão agradáveis. Outras podem parecer estranhas inicialmente.

Mas justamente aí está uma parte importante da viagem.

Em vez de comparar constantemente cada situação com aquilo que acontece no Brasil ou em outro país onde você vive, tente observar como os italianos fazem.

Como pedem café? Como utilizam o transporte público? Em que horário jantam? Como ocupam as praças no final da tarde?

Esses pequenos detalhes contam muito sobre o país.

 

Ficar obcecado apenas pelas atrações famosas

É praticamente impossível imaginar uma primeira viagem a Roma sem o Coliseu ou uma passagem por Veneza sem conhecer a Piazza San Marco.

Os grandes monumentos são famosos por uma razão.

O problema aparece quando o turista transforma a viagem em uma corrida para completar uma lista de atrações.

Às vezes, os melhores momentos acontecem justamente entre um monumento e outro.

Pode ser uma pequena praça encontrada por acaso, uma igreja praticamente vazia, um mercado local ou um restaurante descoberto enquanto você caminhava sem destino.

Reserve algum espaço no roteiro para simplesmente explorar.

A Itália recompensa bastante esse tipo de viajante.

 

Visitar somente Roma, Veneza, Florença e Milão

Essas cidades merecem ser conhecidas, mas representam apenas uma pequena parte da Itália.

Existe outro país além dos grandes circuitos turísticos.

Bolonha, Verona, Turim, Gênova, Palermo, Bari, Lecce, Matera e inúmeras outras cidades oferecem experiências completamente diferentes.

E quando saímos das cidades maiores, as possibilidades aumentam ainda mais.

A Itália possui milhares de pequenas localidades, vilarejos medievais, regiões montanhosas, lagos, praias e áreas rurais.

Depois da primeira viagem, muitos visitantes percebem justamente isso: seriam necessárias várias viagens para começar a conhecer o país de verdade.

 

Não aprender nenhuma palavra em italiano

Você não precisa falar italiano fluentemente para viajar pelo país.

Nas áreas turísticas, frequentemente será possível se comunicar em inglês e, em algumas situações, até encontrar pessoas que compreendam um pouco de português ou espanhol.

Mesmo assim, aprender algumas palavras básicas faz diferença.

Um buongiorno ao entrar em um estabelecimento, um grazie depois de ser atendido ou um per favore durante um pedido demonstram educação e disposição para interagir com a cultura local.

Mais importante do que pronunciar tudo perfeitamente é mostrar respeito.

Os italianos sabem que você é turista.

O esforço costuma valer mais do que a perfeição.

 

Ter medo de sair do roteiro

Planejamento é importante, principalmente em uma viagem internacional.

Mas existe uma linha tênue entre ter um roteiro organizado e transformar as férias em uma agenda militar.

Se cada minuto estiver programado, qualquer atraso poderá parecer um problema.

O trem demorou alguns minutos? O almoço levou mais tempo? Você encontrou uma praça interessante e gostaria de permanecer ali?

Nem tudo precisa ser tratado como um contratempo.

Deixar algumas horas livres pode proporcionar justamente as melhores lembranças da viagem.

 

Fotografar tudo e observar pouco

A Itália é extremamente fotogênica.

É natural querer registrar o Coliseu, os canais de Veneza, as catedrais, as montanhas e aquelas pequenas ruas que parecem cenário de cinema.

Mas existe um risco moderno: passar a viagem inteira olhando para a Itália através da tela do celular.

Faça suas fotografias.

Depois guarde o telefone por alguns minutos.

Observe as pessoas caminhando, os prédios, as fachadas antigas, o movimento das praças e os sons da cidade.

Algumas lembranças não precisam ocupar espaço na memória do celular.

 

Transformar pequenos imprevistos em grandes problemas

Viagens raramente acontecem exatamente como planejamos.

Um trem pode atrasar. Pode chover justamente no dia reservado para determinado passeio. Um restaurante pode estar fechado. Uma atração pode exigir mais tempo do que você imaginava.

Na Itália, assim como em qualquer outro destino, imprevistos fazem parte da experiência.

Quanto mais apertado for o roteiro, maior será a sensação de que qualquer mudança está destruindo o planejamento.

Ter alguma flexibilidade permite adaptar o dia sem transformar pequenos problemas em motivo de estresse.

 

O maior erro: viajar pela Itália com pressa

Depois de tantos erros possíveis, talvez exista um que resuma praticamente todos os outros: tentar consumir a Itália rapidamente.

A Itália não é apenas uma coleção de monumentos.

É sentar em uma praça sem necessariamente ter alguma coisa para fazer. É entrar em uma pequena igreja porque a porta estava aberta. É descobrir um prato que você nunca tinha ouvido falar. É caminhar por uma rua que não estava marcada no roteiro.

É também perceber que cada região possui uma identidade própria.

Viajar mais devagar permite enxergar essas diferenças.

Talvez você volte para casa tendo conhecido menos cidades do que imaginava inicialmente, mas provavelmente terá conhecido melhor aquelas pelas quais passou.

 

Afinal, como evitar os erros de turista na Itália?

Não existe viagem perfeita, e tentar eliminar qualquer possibilidade de erro pode acabar criando justamente outro problema: planejamento excessivo.

O objetivo não é decorar dezenas de regras antes de embarcar.

O mais importante é compreender algumas características básicas do país, pesquisar os deslocamentos, reservar antecipadamente aquilo que realmente exige reserva e deixar espaço para aproveitar o inesperado.

Conheça os monumentos famosos, mas caminhe também pelas ruas ao redor deles. Experimente os pratos conhecidos, mas pergunte pelas especialidades locais. Utilize os trens rápidos entre as grandes cidades, mas considere passar alguns dias explorando uma única região.

Principalmente, não transforme sua viagem pela Itália em uma competição para descobrir quantos lugares consegue visitar.

Porque depois de conhecer o país, existe uma grande possibilidade de você perceber algo que muitos viajantes descobrem tarde demais:

uma única viagem dificilmente será suficiente para conhecer toda a Itália.

E talvez isso seja justamente uma das melhores coisas sobre viajar pelo país.